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domingo, 28 de abril de 2013

Homem está há mais de dez dias com o pênis ereto e...

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terça-feira, 16 de abril de 2013

BAFONIQUE: Você sabe o que este sinal significa?

BAFONIQUE: Você sabe o que este sinal significa?: O símbolo foi lançado segunda feira, 25, pela HCR (Human Rights Campaign) em seus perfis nas redes sociais. O quadrado e o sinal matemá...

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Benefícios do maxixe


O maxixe (Cucumis anguria L.) é rico em zinco, mineral importante para o bom funcionamento de todos os tecidos do corpo e para o metabolismo do açúcar e de proteínas. Também é fonte de cálcio, fósforo, ferro, sódio, magnésio, vitamina C, vitaminas do complexo B e betacaroteno (pró-vitamina A).

Por ser rico em zinco, auxilia no combate  e na prevenção dos distúrbios da próstata; diminui o depósito do mau colesterol; elimina manchas brancas nas unhas e ajuda na cicatrização de ferimentos diversos.

É muito útil nos casos de cálculo renal, hemorróidas, inflamação dos rins e vômito.

Como no cozimento quase todo o zinco se perde, é bom comer o maxixe cru, em salada e em suco (sugestões: maçã, cenoura e maxixe; maçã e maxixe; maçã, salsão e maxixe; laranja e maxixe).

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Gênesis de uma igreja contemporânea

1 No princípio ele criou  a sua própria igreja, alugando um lugar para reunir algumas pessoas sem ter denominação alguma e declarou a si mesmo “pastor”.
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2 E a igreja era sem forma e vazia, mesmo assim algumas pessoas vieram apoiá-lo. E até então o Espírito de Deus pairava sobre a face daquele lugar.
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3 E o pastor disse: façamos uma oferta para arrumar a igreja e a oferta foi recolhida.
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4 E o pastor viu que a oferta e as pessoas eram boas e apoiavam suas idéias; então separou uma oferta para a igreja e outra para si mesmo.
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5 E o pastor chamou aquilo de doações para não pagar impostos e as que cobriam suas despesas foram chamadas de dízimo. E passou a tarde e a manhã pedindo dinheiro.
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6 Então disse o pastor: haja expansão entre os congregantes e separou as pessoas que o interessavam das que não interessavam muito.
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7 E fez o pastor uma expansão e separou os menores de idade e os chamou de crianças e adolescentes e os maiores de idade de: assembleia geral, grupo de homens, de mulheres, de adultos solteiros… E assim por diante.
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8 E o pastor chamou a expansão de “Minha igreja”. E passou a tarde e a manhã fazendo uma reunião especial para atrair mais pessoas.
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9 Então disse o pastor: Juntem-se aqueles que sabem tocar algum instrumento e descubram quem gosta de cantar. E isso aconteceu.
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10 E chamou o pastor os que tocavam e cantavam de “Meu grupo de louvor” e as outras pessoas de servos. E viu o pastor que isso era bom e lhe convinha.

11 Então disse o pastor: Surja dentre o povo quem venha para a igreja disposto a lavar e limpar os banheiros, cadeiras e deixar tudo arrumado e limpo. E isso aconteceu.
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12 Pois a igreja produzia pessoas de bom coração que ajudavam sem reclamar, pessoas que trabalhavam sem esperar nada em troca e sabiam em seu coração que aquilo que faziam  valia a pena, mesmo sem serem reconhecidos. E viu o pastor que para ele isso era bom e lhe convinha.
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13 E passaram a tarde e a manhã fazendo limpeza e arrumando o templo e colocavam todos dinheiro do próprio bolso para isso.
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14 Então disse o pastor: Haja luz e aparelhos de som para as reuniões e também para eventos especiais; pessoas que entendam de som e venham antes da reunião para preparar tudo e sejam tão comprometidos que posso reclamar se algo não ficou muito bom
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15 e dar ordens como se fossem meus empregados mesmo que nunca recebam um centavo sequer para isso e me servam por muitos anos. E isso aconteceu.
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16 E fez o pastor duas grandes equipes de líderes, os 12 líderes “importantes”, seus amigos e vice-líderes de célula para lhe obedecer sem precisar se relacionar com eles. Assim  nasceram as “estrelas”.
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17 E fez o pastor a expansão de sua igreja e chamou isso de “ministérios”
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18 para exercer domínio em todas as áreas de serviço, o tempo todo procrurando ofuscar os outros e fingindo ter elevados níveis de espiritualidade para alcançar uma posição de liderança. E viu o pastor que isso era bom nisso e o ajudava a controlá-los melhor.
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19 E houve durante a tarde e a manhã cursos de “liderança”.
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20 Disse o pastor: Produzam mais pessoas responsáveis ​​pelas crianças, porque são muito inquietas e distraem os pais da minha pregação da e hora da oferta.
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21 E criou os grandes animais do pastor e os traumas de infância, enchendo as crianças de histórias repetitivas em aulas chatas, professores sem preparação que só conseguiram  fazer que ninguém queria ouvi-lo. E lá estava o pastor que não era bom.
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22 O pastor parabenizou os líderes dizendo: “sejam frutíferos, multipliquem os membros de minha igreja, me tragam ofertas e relatos de pessoas que estão em rebeldia por não pensarem como eu para que possa convencê-las ou mandar embora. E os líderes concordaram.
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23 E houve durante a tarde e a manhã uma refeição apenas para os doze líderes.
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24 Então disse o pastor : Gravem um CD de louvor ao vivo de nossa congregação, um site, uma editora para os meus livros e tudo que seja necessário para que vejam como a minha igreja é mais moderna, mais abençoado e melhor que as outras . E isso aconteceu.
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25 E fez ele congressos de jovens, de mulheres, de homens, de líderes de louvor, teve livros publicados, CDs de música gravados; vendeu pregação, ingressos para cafés, seminários, pré-encontros, encontros, reuniões e pós-encontros. E viu o pastor que para ele isso era bom.
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26 Então disse o pastor : “Façamos Deus à minha imagem e semelhança, do jeito que sou e tudo que eu digo de bom ou de ruim, aceitável ou inaceitável, incluindo música, televisão, cinema, roupas, forma de falar, de liderar uma reunião e assim por diante. Mesmo quando não há base bíblica e são apenas meros caprichos serei respeitado. Quem pensar o contrário será julgados à revelia e expulso de minha igreja. Eu vou reinar sobre todos os membros da minha igreja dizendo: “Deus quer, Deus me disse, Deus me mostrou”, quando na realidade é apenas o que “eu digo, eu sinto e eu amo”


27 E o pastor criou Deus  à sua imagem… e Deus viu que isso não era bom.
tradução: Jarbas Aragão
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dica do Ricardo Gondim

sábado, 23 de março de 2013

via: Grupo Dignidade


A noticia abaixo relata o triste fim de Mohamed Ali Baashi, um jovem gay Somali de apenas 18 anos. Baashi foi condenado por um tribunal fundamentalista à morte por apedrejamento apenas por amar outros meninos, algo que ele não escolheu, algo que ele era, gay!
Quando o fundamentalismo legisla, judicia e executa, este é o resultado, por isso nosso brado por um Brasil Laico é sempre alto!
Nossa solidariedade e preces aos cidadãos LGBT que vivem nos SETE países da África que punem a orientação sexual com pena de morte e aos de Uganda, que pretende fazê-lo.
Esperamos, lutando, ansiosos pelo dia em que o amor seja livre e a cor da pele não importe!
 
VIA:
http://www.huffingtonpost.com/2013/03/21/gay-teen-stoned-somalia-sodomy_n_2916655.html

A falta que o respeito faz

Leonardo Boff
Teólogo, filósofo e escritor
Adital


A cultura moderna, desde os seus albores no século XVI, está assentada sobre uma brutal falta de respeito. Primeiro, para com a natureza, tratada como um torturador trata a sua vítima com o propósito de arrancar-lhe todos os segredos(Bacon). Depois, para com as populações originárias da América Latina. Em sua "Brevíssima Relação da Destruição das Indias” (1562) conta Bartolomé de las Casas, como testemunho ocular, que os espanhóis "em apenas 48 anos ocuparam uma extensão maior que o comprimento e a largura de toda a Europa, e uma parte da Ásia, roubando e usurpando tudo com crueldade, injustiça e tirania, havendo sido mortas e destruídas vinte milhões de almas de um país que tínhamos visto cheio de gente e de gente tão humana”(Décima Réplica). Em seguida, escravizou milhões de africanos trazidos para as Américas e negociados como "peças” no mercado e consumidos como carvão na produção.

Seria longa a ladainha dos desrespeitos de nossa cultura, culminando nos campos de extermínio nazista de milhões de judeus, de ciganos e de outros considerados inferiores.

Sabemos que uma sociedade só se constrói e dá um salto para relações minimamente humanas quando instaura o respeito de uns para com os outros. O respeito, como o mostrou bem Winnicott, nasce no seio da família, especialmente da figura do pai, responsável pela passagem do mundo do eu para o mundo dos outros que emergem como o primeiro limite a ser respeitado. Um dos critérios de uma cultura é o grau de respeito e de autolimitação que seus membros se impõem e observam. Surge, então, a justa medida, sinônimo de justiça. Rompidos os limites, vigora o desrespeito e a imposição sobre os demais. Respeito supõe reconhecer o outro como outro e seu valor intrínseco seja pessoas ou qualquer outro ser.

Dentre as muitas crises atuais, a falta generalizada de respeito é seguramente uma das mais graves. O desrespeito campeia em todas as instâncias da vida individual, familiar, social e internacional. Por esta razão, o pensador búlgaro-francês Tzvetan Todorov, em seu recente livro "O medo dos bárbaros” (Vozes 2010), adverte que se não superarmos o medo e o ressentimento e não assumirmos a responsabilidade coletiva e o respeito universal não teremos como proteger nosso frágil planeta e a vida na Terra já ameaçada.

O tema do respeito nos remete a Albert Schweitzer (1875-1965), prêmio Nobel da Paz de 1952. Da Alsácia, era um dos mais eminentes teólogos de seu tempo. Seu livro "A história da pesquisa sobre a vida de Jesus” é um clássico por mostrar que não se pode escrever cientificamente uma biografia de Jesus. Os evangelhos contêm história; mas não são livros históricos. São teologias que usam fatos históricos e narrativas com o objetivo de mostrar a significação de Jesus para a salvação do mundo. Por isso, sabemos pouco do real Jesus de Nazaré. Schweitzer compreendeu: histórico mesmo é o Sermão da Montanha e importa vivê-lo. Abandonou a cátedra de teologia, deixou de dar concertos de Bach (era um de seus melhores intérpretes) e se inscreveu na faculdade de medicina. Formado, foi a Lambarene no Gabão, na África, para fundar um hospital e servir a hansenianos. E ai trabalhou, dentro das maiores limitações, por todo o resto de sua vida.

Confessa explicitamente: "o que precisamos não é enviar para lá missionários que queiram converter os africanos mas pessoas que se disponham a fazer para os pobres o que deve ser feito, caso o Sermão da Montanha e as palavras de Jesus possuam algum sentido. O que importa mesmo é, tornar-se um simples ser humano que, no espírito de Jesus, faz alguma coisa, por pequena que seja”.

No meio de seus afazeres de médico, encontrou tempo para escrever. Seu principal livro é: "Respeito diante da vida”, que ele colocou como o eixo articulador de toda ética. "O bem”, diz ele, "consiste em respeitar, conservar e elevar a vida até o seu máximo valor; o mal, em desrespeitar, destruir e impedir a vida de se desenvolver”. E conclui: "quando o ser humano aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante; a grande tragédia da vida é o que morre dentro do homem enquanto ele vive”.

Como é urgente ouvir e viver esta mensagem nos dias sombrios que a humanidade está atravessando.

[Leonardo Boff é autor de "Convivência, Respeito, Tolerância”, Vozes 2006].

quinta-feira, 21 de março de 2013

A Relva

Na paisagem ela forma um tapete extenso e verdejante. Sobre ela passam os animais, que a pisoteiam.

Alguns, famintos, nela encontram alimento e, por isso, a arrancam nos dentes afiados.

Ela continua serviçal, na função que a natureza lhe ofereceu.

E trabalha, na intimidade da terra, esforçando-se para recompor as falhas provocadas, tornando a aparecer, exuberante sobre a terra.

Quando atapeta praças esportivas, é comprimida por grande número de pés, mas prossegue em seu mister.

Chutes mais fortes lhe arrancam pedaços, por vezes. Ela continua, operosa, a sua tarefa.

Agredida pela canícula inclemente, ela se aquieta no sofrimento.

Ressecada, prossegue na sua contribuição de cobrir grandes porções de terra, transformadas em campos ou praças.

Pensam que ela morreu. Todavia, logo venham as bênçãos de chuva, ela torna a reverdecer.

Esquece, rapidamente, os sofrimentos e a secura, para sofrer tudo outra vez.

Vez ou outra, padece a dilaceração da enxada, transferindo-a a outros lugares, replantando-a ou desprezando-a sobre o monturo.

De outras, passa pela poda da tesoura, a fim de mais embelezar-se.

É a imagem da humildade ativa.

Notando esse quadro tantas vezes desconsiderado do relvado a se oferecer, apesar de tudo, miremo-nos nele à busca de lições.

Da mesma forma que a relva, não nos deixemos desfalecer ante o pisoteio das experiências difíceis. Ou o mordiscado das decepções no caminho por onde sigamos.

Quando a secura das afeições, em forma de indiferença ou abandono, nos alcançar, permaneçamos firmes.

E renovemo-nos ante as bênçãos de outros corações que nos amam e oferecem apoio e consolo.

Ao contato insano dos que nos agridem nos mais caros sentimentos, despedaçando-nos o coração, prossigamos.

Como a relva, busquemos na intimidade as energias necessárias para reverdecer, realizando as tarefas que nos competem, sem esmorecer.

Trabalhemos em nós a humildade e a paciência, sem deixar de servir.

Os que hoje agridem, passarão. Suas palavras, seus ataques, suas calúnias... Tudo passará.

Depois dos dias de frio, vento e tempestade, sempre retornam as manhãs cantantes de sol e as tardes quentes, ao sabor do vento passante.

Iniciemos esforços para sofrer, sem nos desgovernarmos, nem abandonar os deveres que nos competem.

Não deixemos de servir porque a poda indevida nos alcançou, seja ela em forma de dores morais ou físicas.

Sempre estejamos dispostos a começar tudo novamente.

E, se enfim, nos sentirmos crestados por causa de tantas esfogueantes agonias, contemos com a chuva formidável da assistência do nosso Jesus.

Confiantes e dispostos, envolvidos nas benesses da sua atenção, preparemo-nos para despontar em novo amanhã de frescor e alegria, exatamente como a relva.

Pensemos nisso! E não nos permitamos parar de crescer e servir, porque alguém desavisado pisoteou nossas esperanças e nossos sonhos.

Renovemo-nos sempre pela vontade de servir e passar adiante para que os que venham depois somente encontrem traços de luz por onde passamos.


 
Texto da Redação do Momento Espírita com base no cap. 8, do livro Rosângela, do Espírito homônimo, psicografia de J. Raul Teixeira, ed. Fráter.

Sexo e Poder

Paulo Brabo - A Bacia das Almas 
Que as três grandes ortodoxias que brotaram do tronco bíblico são sexualmente conservadoras não deve haver dúvida, mas às vezes penso que não gastamos tempo suficiente tentando determinar porquê. À primeira vista pode parecer que as coisas são assim porque religiões lineares como o judaísmo, o cristianismo e o islamismo tendem à ordenação e ao controle, e em seu processo civilizatório sentem-se impelidas a produzir mecanismos que refreiem o poder socialmente disruptivo do sexo. Desde o primeiro momento, afinal de contas, Deus aparece levantando restrições e barreiras que protejam sua criação de resvalar no caos original – e parece haver poucos emblemas mais unânimes e mais formidáveis do caos do que a multiforme, embriagadora e infracionável bagagem sexual humana.

Esse argumento de contenção do caos, pode estar ocultando, no entanto, uma lógica falha. Talvez seja vantajoso para o sistema, justamente a fim de manter o estado de coisas e perpetuar a dominação, sustentar artificialmente a ideia de que o sexo tem um poder socialmente disruptivo que na realidade não tem. Se o sexo não se mostrar na prática tão socialmente destrutivo quanto se supunha que fosse, as ortodoxias perderão grande margem de alavancagem em outras áreas. Esse, por si só, pode ser um excelente motivo para que as instituições mantenham sua ênfase na obediência estrita aos regulamentos: desse modo a base não comprovada dos seus argumentos permanecerá oculto pela cortina das proibições.

Mas estou me adiantando, e talvez da forma errada.

Talvez eu devesse colocar em cheque logo de início as suas preconcepções, e explicar que quando a Bíblia fala de sexo não está falando de pureza, mas de mecanismos de dominação. Onde parece estar falando de contatos proibidos entre corpos, está na verdade ilustrando e estabelecendo (e por vezes desafiando) jogos sociais de poder e mecanismos sociais de controle.

Para demonstrar adequadamente este ponto será necessário um livro que ainda não comecei a escrever. Por enquanto algumas indicações terão de bastar.

Antigo Testamento: a honra do macho

Para começar há o Antigo Testamento, e a vantagem de começarmos por aqui é que não há lugar em que essas coisas fiquem mais claras. Se as legislações do Pentateuco dão a impressão de ter um caráter chauvinista e patriarcal é porque em grande parte o tem. Essa ênfase fica muito clara nas passagens que regulamentam o sexo. Embora por vezes aparente estar tratando da questão geral da legitimidade dos contatos sexuais (de modo a beneficiar a todos), A principal função social do sexo era ilustrar uma relação de dominação.o texto está essencialmente levantando barreiras sociais que protejam a honra do macho1 (de modo a legitimar a supremacia do ser humano adulto do sexo masculino).

Isso porque, como em muitas culturas da Antiguidade (e até recentemente em muitas culturas ocidentais), na esfera do Antigo Testamento a principal função social do sexo era ilustrar uma relação de dominação. O sexo era tido como um ritual estilizado de poder e de submissão que refletia em privado uma diferença de status muito real na esfera social.

Nessa configuração, tomada como válida por muita gente ainda nos nossos dias, a própria anatomia é interpretada como confirmando o status superior do homem, primazia que a relação sexual periodicamente celebra. O homem tem papel ativo: ele supre, penetra, domina, possui e fertiliza; o papel da mulher é passivo: ela acolhe, é penetrada, é dominada, é possuída e é fertilizada. Tudo nessa visão clássica da relação, bem como nas palavras que escolhemos para descrevê-la, serve para maximizar o papel do homem e minimizar o papel da mulher. O ativo é honrado e valoroso, o passivo é submisso e desprezível2.

Parece haver pouca dúvida de que os povos da Antiguidade desenvolveram essa visão do sexo como emblema de dominação a partir da observação do comportamento dos animais, já que para muitos mamíferos superiores o sexo tem uma função claramente política, além da reprodutiva. O líder é via de regra o grande reprodutor, o macho fertilíssimo que tem o maior número de parceiras, e ele pode resolver ilustrar a sua superioridade e a submissão dos demais tomando como parceiros passivos até mesmo os machos abaixo dele na hierarquia.

Muito claramente, foi essa visão da sexualidade como registro social de dominação e controle, e não nenhuma inclinação homossexual generalizada, que levou os homens de Sodoma a rejeitar as filhas virgens de Ló em favor do sexo com os seus visitantes. Eram homens bárbaros que queriam mostrar barbaramente o seu poder; na sua visão de mundo, possuir visitantes ilustres simbolizaria mais formidavelmente a sua potência do que simplesmente violentar moças locais3.

Embora em muitos sentidos mais generosa, mais liberal e mais sofisticada do que as leis que regiam outros povos na mesma época, a legislação do Pentateuco toma como certa essa noção do sexo como ritual de dominação. Ele favorece claramente a ideologia da supremacia do macho, e deita medidas explícitas para proteger a sua honra. O adultério, por exemplo, é visto como transgressão especialmente grave não por violar a santidade da família4, mas porque representa uma afronta à honra e à potência/suficiência do homem casado/macho reprodutor.

O sexo entre homens é julgado “abominável” essencialmente pela mesma razão. Um homem não deve deitar-se com outro homem “como se fosse com mulher”, porque isso ilustraria uma relação de dominação e de submissão entre agentes que para o sistema devem permanecer invariavelmente dominantes – nunca submissos ou passivos. O banimento do comportamento homossexual não está embasado no intercâmbio entre corpos incompatíveis, mas na conotação politicamente inaceitável que uma relação “desigual” entre “iguais” é interpretada como tendo. Ambos os transgressores devem ser mortos: um porque aceita a submissão que denigre a honra inerente do macho, outro porque a proporciona.

Semelhantemente, de modo a manter a virtude masculina intocada, um homem não deve absolutamente deitar-se com uma mulher menstruada (isto é, inadequada e impura), e um homem com os testículos esmagados deixa de ter cacife para apresentar ofertas diante de Deus: tudo para que o homem ideal permaneça o grande dominador de honra intacta, o eficaz reprodutor suficiente e desimpedido.

Em conformidade com essa tendência, na Bíblia são sempre as mulheres que são estéreis, nunca os homens. Não conviria a um herói magnífico como Abraão mostrar-se deficiente (mesmo que divinamente suprido, como ocorre com Sara) nessa mais significativa das áreas. Em retrospecto, talvez a função original de Hagar e de Ismael na narrativa tenha sido apenas deixar claro além da dúvida que a culpa pela infertilidade do casal residia sobre Sara, não sobre seu marido.

Roland Boer estava apenas em parte brincando quando escreveu seu provocativo e constrangedoramente meticuloso artigo The Patriarch’s Nuts: Concerning the Testicular Logic of Biblical Hebrew (As bolas do patriarca: considerações sobre a lógica testicular do hebraico bíblico). Os autores do Antigo Testamento de fato criam que algo grande, sagrado e preferencialmente inviolável residia entre as coxas do ser humano do sexo masculino; isso fica evidente no uso quase reverente que fazem dos termos hebraicos que em português se traduzem comumente como “lombos” ou “coxa”, mas são eufemismo para regiões do corpo mais exclusivamente masculinas (como, por exemplo, na expressão “fruto dos teus lombos”). Os testículos, mais do que o pênis, eram tidos como residência da masculinidade e da iniciativa, e portanto daquilo que a humanidade tinha de mais íntegro, momentoso e admirável5.

Nesse mundo, em que o sexo era visto como registro social do status de dominação e de submissão de seus participantes, e os testículos como os tabernáculos mais sagrados da virtude, apenas as manifestações sexuais que não comprometiam a honra e a primazia do macho eram tidas como legítimas.

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